sexta-feira, 29 de outubro de 2010




Isso não é uma crítica apenas e mais uma espécie de desabafo. O mundo ultimamente passou a ser tão mais selvagem, a falsidade se tornou tão comum e o eu te amo se banalizou de uma forma ridícula entre pessoas que na realidade pronuncia essas palavras como se fosse a coisa mais fácil de dizer e sentir por outra pessoa. Sem falar como os próprios sentimentos passaram a ser tão artificiais e superficiais.
Nunca estou mais acompanhado do que quando estou sozinho.


“O meu dia só existe porque você existe dentro dele. Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas. E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá, mas é como se eu existisse de um jeito mais completo.” Caio F. Abreu





Eu quero vomitar essas incertezas todas que me amargam. Eu quero abortar esse medo camuflado entre todos os meus desejos insanos e também inseguros. Eu quero colocar para fora essas dores que me voltam em Agosto, como bobagens tão pequenas quanto cacos finos de vidro encravados nos meus pés. Eu quero caminhar sem senti-los, sem que se enterrem ainda mais fundo enquanto não assumo a coragem de pinçá-los e jogá-los fora. Se explico, me dizem que são coisas pequenas, miudezas, insignificâncias… então eu guardo as minhas explicações no mesmo lugar onde afundo minhas angústias. E as mastigo sozinha. Secas, ácidas, travadas. Minhas angústias de elevador nunca descem completamente. Elas caem e depois voltam. Como a terra que decanta no fundo de um copo com água, e que inevitavelmente sobe quando é revolvida. Então estou revolvendo na lama que fiz com minhas águas e minhas terras? Talvez. Mas essa chuva que não deveria chover em Agosto, esse frio quando meu casaco já nem esperava sair do armário, essas nuvens, esses sinais de ausência de obviedade no tempo… tudo se torna tão pouco óbvio que eu não posso prever. E sinto mil espécies diferentes de um mesmo medo - mil cruzamentos híbridos entre o que eu desejo e o que eu me proíbo desejar. Pessoas partem, vidas seguem, sabores se dissolvem. E eu espero pelos dias em que minhas angústias vão decantar no fundo de mim mesma, quietas, densas, inertes. E me perdoe pelo peso das palavras: eu espero pelas minhas angústias mortas. Para me sentir mais viva.

“Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.” André Cavalcante




A inabilidade de demonstrar amor e compaixão. São essas coisas que nos destroem. Quando se trata de amor e felicidade não somos vítimas, somos assassinos. Nós aplaudimos o sentimento… mas não mudamos. Por quê? Porque sabemos o que queremos. Então, nós fazemos, dizemos, tentamos, bancamos as vítimas, contratamos advogados… e isso tem que parar. É uma questão de caráter. Isso é sobre quem tem o melhor caráter. Às vezes decepcionamos as pessoas com quem devemos estar, e às vezes as pessoas fazem coisas que sentem vergonha. E normalmente, depois que a culpa se estabelece, nós pioramos as coisas. E a verdade? Bem, a verdade é um conceito absoluto. E a verdade pode te libertar. O caráter muda tudo.

Nem sempre meu sorriso foi verdadeiro, nem sempre as escolhas que fiz foram as corretas, nem sempre as pessoas que escolhi permaneceram do meu lado, nem sempre meu sonho se realizou, nem sempre minha opinião foi aceita, nem sempre fiz o que quis.
Não vivemos exatamente o que sonhamos, vivemos o que cativamos, o que nos foi guardado, o que merecemos. Geralmente sofremos quando esperamos algo de alguém; o ideal é não esperar nada de ninguém, e se surpreender com cada ato, cada inesperado, tão esperado, ocultamente. Esquecemos que estes são humanos, e como tal, erram. Todos nós somos felizes e para todos nós o sol continua brilhando; devemos saber perder. Devemos viver e aproveitar o que nos foi oferecido, apesar de todos os apesares.




He: Se você colocar o seu ouvido bem pertinho do meu peito também vai ouvir um som.
She: Estou ouvindo... o que é?


Ela: Esperando.
Ele: Quem?
Ela: Ele.
Ele: Faz tempo?
Ela: 12 meses e 11 dias, totalizando 376 dias, 9024 horas e alguns segundos.
Ele: Você é louca, isso é tempo demais, por que você ainda espera?
Ela: Porque o amo, e ainda tenho esperanças que ele volte.

























