quinta-feira, 18 de junho de 2009

Por que nossa amizade já virou irmandade.!







Por que nossa amizade já virou irmandade.!
(Dedicado à Naiane Mendes da Silva)

Cansada deste mundo em que vivemos, onde as amizades são construídas visando o lucro financeiro clamei à Deus ajuda. Pedi à Ele que mandasse-me um anjo para proteger-me de todas às adversidades da vida. Ansiosa, esperava um herói nacional ou um ícone da história, tais modelos de forças convencionais.
Mas quando clamei, Deus mandou-me uma jovem indefesa. Tão indefesa quanto eu. Senti-me afrontada por sua ousadia. Como ela poderia ser o anjo que eu necessitava?
Sem revoltas, resolvi aceitar meu destino.
As circunstâncias nos aproximavam diariamente, notei quanta beleza interior ela trazia, garra e força imagináveis.
Senti-me desconfortável diante de meu precipitado julgamento. Para reavaliá-lo fui em busca de seu passado, procurei um motivo cabível para a felicidade que irradiava de seu sorriso. Dentre várias hipóteses, a mais plausível era à de uma possível fortuna.
Mas evitando outro pré-julgamento decidi rever os fatos do seu passado. Para isto teria que arriscar-me em uma nova amizade, a decepção parecia inevitável.
Até quando seríamos amigas? Quais limites deveria impor à amizade? As respostas não surgiam.
No início contrai-me em meu mundo. Mas sua simpatia e persuasão dissolveram meus preconceitos, caminhando no solo de meu psiquismo, mudando meus conceitos.
Com que ousadia penetrava em meus pensamentos? Quem lhe dava permissão? Por que me estimulava a ser melhor, quando não me importava? Minha curiosidade aumentava na proporção que a conhecia.
Ela transpirava confiança, suas palavras saiam naturalmente, tornaram-se bons conselhos.
Dentre todos os meus amigos, ela se mostrou a mais preocupada. Sentia-me bem ao ver-me apoiada por uma amiga, embora correndo o risco de vê-la sendo corrompida pelo mundo.
Mas, por que me importava? Por que deveria importar-me? Eras grande o bastante pra cuidar de si. E do mais, foi eu quem clamei à Deus alguém para proteger-me.
Mas involuntariamente eu me importava , por que crescia em meu coração uma terna amizade, que desafiando o mundo capitalista não buscava status, mas companheirismo. Sobressaia-se em meio à dor, a decepção, fortalecia-se.
Várias tentativas de enclausurá-la se sucederam, porém suas bases não se estremeceram. Quando havia rachaduras, reerguia mais forte.
Tornei-me então sua amiga, pude conhecer seu passado. Não havia mansões, nem fortunas, nem inúmeros carros. Ao contrário do que pensei, a vida já lhe tomará muito.
Tomará seus maiores tesouros, deixando-a à mercês da fé. Com bravura ela reergueu-se, reconstruiu bravamente seu castelo, pondo nele todas as pessoas que ama. Eis esta família à que chamo de verdadeira ‘família real’. Nenhum reino, após perder seu rei e príncipe reergueria tão forte. Nem mesmo a rainha mais prestigiada possuiria a garra de D. Lourdes, ou até mesmo se educada nas maiores escolas reais, possuiriam a educação de D. Nair. Nem os jardins de enormes palácios seriam capazes de substituir a infância que os jovens príncipes Tiago e Tarcísio tiveram. Cercados por imensas muralhas, seriam privados de correr, de se machucar, de viver.
Nem os mais luxuosos vestidos, feitos à mão por estilistas consagrados, trariam um sorriso ao rosto das princesas Raiane, Mônica e Naiane. Seus tecidos raríssimos se empobreceriam diante de seres tão especiais. Todo o tesouro real se ofuscaria diante do sorriso que sempre trazem no rosto.
Quanto ao castelo, não era semelhante aos situados na Europa Medieval, suas bases constituíam-se dos próprios habitantes, unidos por um sentimento maior.
Sentia-me indigna de entrar em tal castelo, não trazia em meu coração a realeza necessária. Era superficial, ignorante, egoísta, eles não. Tive que perder como perderam para sentir a vida pulsando dentro de mim.
Os pêsames tornaram-se repetitivos, já não me causavam motivação. Ela, sem muitas palavras abraçou-me, transmitindo toda a força que bradava de seu coração. Fez-me ver que sofrer era privilégio dos vivos.
A meu ver, forte seria se cessasse as lágrimas que teimavam em cair, mas me ensinastes que elas deveriam seguir seu curso natural, que forte seria se capaz de assumi-las.
Chorei, chorei em seu colo, so me dissestes ‘estou aqui com você’. Não precisava de mais nada.
Meus pensamentos regressaram no tempo, lembrei-me de quando lhe conheci. Deus mandou-me o anjo certo!
Não precisava ser perfeita, pois não exigias de mim perfeição.
Deus foi realmente generoso ao mandar-me seu melhor anjo.
Os problemas já não eram tão pesados, os compartilhávamos.
Sempre que possível fazia-me presente em sua vida, em cada passo, cada recuada.
A ânsia de lhe perder aumentava. Há cada brincadeira, um ensinamento. Um jeito novo de interpretar a vida.
Já o destino, mais uma vez preparava-se para avaliar-me. Meu fracasso foi acompanhado pelo êxito.
Almejando o melhor privei-me de sua amizade, sofremos juntas a dor da separação. Juntas éramos mais fortes, desunidas nós tornávamos fracas.
O elo que nos une é mais forte que meu desejo de não decepcioná-la. Poderia acovardar-me, mas meu coração contradizia minhas palavras. O contrariei, em recompensa pude reerguer-me de meu cárcere emocional e ajudá-la.
Tudo fez sentido! Deus havia planejado algo melhor para esta amizade, não à mandou só para ajudar-me, mas para que eu também à ajudasse. Deus também havia me escolhido!
Agora, senti-me digna de conviver com sua família, não eram perfeitos como nos contos de fadas, eram reais, porém traziam esta perfeição para a realidade. Eram unidos... felizes!
Somente agora pude entender o brilho que meu anjo trazia em seu sorriso, sua família não era rica financeiramente, como eu supunha, mas rica emocionalmente.
Poderia admirá-los por horas, sem cansar-me. Porém fui além, tive a honra de participar deste fabuloso espetáculo.
Tornei-me mais feliz, pois a alegria que exala dela, percorre também minhas veias. (Irmãs de sangue não é mesmo?)
Nunca pensei que alguém mudaria minha rota, mas que ao precisar estaria ali, pra apoiar-me. Reerguer-me, se preciso.
Ela que inicialmente eu fora capaz de julgar como apenas mais um de meus contatos, tornara-se muito mais importante que certos parentes biológicos. Tornara-se minha irmã.
Sim, irmã! Ela deu um novo sentido à minha vida, quando eu já havia desistido. O destino nos uniu mais que apenas duas amigas, duas irmãs, de coração!
Tivemos os melhores momentos juntas, rimos, choramos, nos abraçamos, nos largamos e nos reaproximamos novamente.
Lembrarei-me de cada momento que passei ao teu lado.
Das idas ao Dandas, Ceará, Sabor Total, lagoa, chácara, tia dos pastelzinhos, sorveterias, picolé no palito.
Quantos lugares foram palco da nossa amizade!
Nunca me esquecerei do que vivemos.
Das nossas conversas no MSN. Das vezes que você me animava quando estava pra baixo.
Da minha raiva ao me corrigires no trânsito.
Da vez em que fostes à um evento cultural só por que lhe pedi.
Do quanto nossa amizade é invejada e não ligamos.
Nossos planos, por que nós iremos ao Rio e à Salvador juntas!
Enfim... De tudo! Não esquecerei-me de absolutamente nada.
Por que você é minha marmotinha preferida.
Meu amoreco, minha amora, meu injou preferido. A bobinha, o fí de cão.
Não importa pelo o que lhe chame, você é e sempre será minha eterna irmã. E nada nem ninguém vai mudar isso!
Te amo, de sua eterna irmã,

Hagnes Dias Ribeiro.

domingo, 14 de junho de 2009

Obrigada professor.!




Obrigada professor.

(Em especial, à Kátia Moreno Lopes)

Já nos meus tenros anos
Conheci pessoas muito importantes
Que se preocupavam tanto comigo,
Querendo me ensinar.
As vezes eu era sapeca
Aprontava muita confusão,
Eles com tanta paciência
Nunca desistiram de mim
Diziam que eu ia ser alguém
Enquanto eu mesma nem me preocupava.
Mas ao longo da caminhada
Assimilei o que me passavam.
É verdade que inconseqüente
Eu os deixava atordoados.
Algumas vezes pedia perdão,
Outras seguia em frente.
Mas eles tão dedicados
De corações abertos, desarmados.
Sei que muitas vezes eu os entristeci
Sou responsável por muitos cabelos brancos
Por muitas noites mal dormidas
Algumas em claro, talvez.
É que eu era apenas um barro
Muito duro de se moldar
Mas vi oleiros tão habilidosos
Nos transformando em vasos formosos.
Conheci pessoas formidáveis,
Aprendi o verdadeiro sentido da amizade.
Caminhei durante seis anos
Com uma pessoa maravilhosa
Um verdadeiro anjo, que sempre me protegeu.
Disciplinando-me com carinho e educação.
Passava-me a matéria de forma interdisciplinar,
Preocupada também em ensinar-me a superar as
adversidades impostas pela vida.
Moldurando meu caráter, sem manchar minha personalidade.
Seus ensinamentos tornaram-se eternos,
Onde a amizade sempre se fará presente.
Obrigada! Muito Obrigada!
Já não sou tão frágil como antes
Olho o futuro com mais segurança
Por isso, com muito amor
Digo obrigada professor.


By Hagnes Dias Ribeiro

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sinto muito...




Sinto muito...

Há semanas mantenho-me encarcerada em meu quarto por espontânea vontade. Dediquei meus últimos dias à ler poesia clássico-romântica, em busca de versos líricos que possam me ajudar à expressar este amor que explode em meu peito.
Encontrei renomados escritores, belíssimos textos. Dentre eles o que mais me despertou atenção foi um de Fernando Pessoa: ‘Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?’
Era este! Perfeito e singelo. O li e reli inúmeras vezes, com a intenção de declamá-lo para você. Em vão, em uma de nossas conversas, disse-me que não gostas de poesia.
Talvez bombons, ou uma mensagem telefonada!?
Não, tu achas ultrapassado.
Poderia no entanto eu mesma ligar-te, conversaríamos um pouco sobre nossos dias e então eu me declararia.
Muito improvável que tu atendas, faz questão de deixar claro que és um garoto muito ocupado.
Um e-mail, quem sabe. Com uma foto nossa, e mensagens apaixonantes.
Oh não, você nem sequer abre sua caixa de entrada.
E do mais, eu queria uma forma romântica para expressar meu amor. Assim como nos filmes ou contos de fadas.
Mas como em meu reino não há mensageiros, eu mesma me encarregarei de dizer-lhes o quão te amo.
Fechei o livro que estava folheando, levantei-me e me troquei. Pus o meu vestido mais elegante, perfumei-me com o aroma mais irresistível e calcei o melhor dos meus sapatos. Fui ao teu encontro.
Apesar dos imprevistos no caminho, cheguei à tua casa. Meus dedos tremendo tocam a campainha e logo as luzes se acendem. É agora.
Em poucos minutos, a porta abriu-se e lá estava ele, lindo como sempre.
Não me contive e em um impulso lhe abracei, minha alegria ultrapassava os limites do imaginário, tornando-me a mulher mais feliz da rua, do bairro, do planeta.
Disse-lhe que nada neste pequeno mundo iria nos separar, que não me deixaria ficar sem ti. E viveríamos felizes para sempre, assim como nos contos de fada.
Oh, que ingenuidade. Você como bom sedutor tinha a garota que almejasse em suas mãos. E foi justamente uma destas garotas que estava saindo de sua casa naquele dia.
Provavelmente estava desnuda, pois seu cabelo estava emaranhado e sua roupa não estava alinhada corretamente.
Ao passar por ti, deu-lhe um beijo, e saiu.
Oh, o beijo que eu tanto almejará. Na boca que eu mais desejará. Não pude conter-me, já em prantos sussurrei: eu te amo.
Esperava sinceramente que me consolasse, a sua pena ao menos. Mas não. Não eras digna de sua compaixão. Você com frieza virou-se e disse à um som inaudível: sinto muito. E adentrou sua casa, fechando a porta e acabando com minhas esperanças.
Os dias seguintes se passaram lentamente, dia após dia. Com o tempo a sua imagem foi esvaindo-se da minha memória.
Após certo tempo, reergui-me e voltei a ser feliz como eu era, com o que eu tinha. Afinal se somos verdadeiramente felizes por que nossa felicidade à de depender de alguém? Eu era feliz agora.
Passado-se dois meses, quem me aparece à porta?! Ele, lindo como nunca.
Não podia demonstrar sofrimento, embora ele estivesse despertando no fundo da minha alma.
Esquecendo-me de minhas emoções, abri a porta e educadamente disse: - Pois não? – esboçando um sorriso.
Lágrimas começaram a cair de seus olhos, disse-me em prantos o quanto me amava, e o quão foi difícil perceber isto.
Seus joelhos se dobraram diante de mim, suplicou-me para voltar.
Meu coração agora já estava entrando em estado de choque. A cada palavra me contorcia de dor. Não poderia me arriscar à sofrer novamente, não poderia e não queria.
O olhei, lamentando-se ao chão, e disse-lhe com a voz embassada, provavelmente por que as lágrimas já estavam à caminho: - Sinto muito.
Virei-me e entrei em casa. Encerrando nossa história.
Não consegui dormir nesta noite, as lembranças dele perturbavam minha mente, em estado de recuperação. O sono parecia mais distante à cada segundo. Peguei uma folha de caderno e pus-me a escrever.
Esboços saiam mal feitos, devido a minha caligrafia tremula, as lágrimas molhavam o papel, deixando-o úmido.
Entre linhas, as palavras diziam:
‘Oi. Desculpe-me pelo recente ocorrido, espero que fiques bem. Quanto a mim? Serei apenas uma lembrança, claro, se eu tiver a honra de estar em sua memória.
Ontem ao lhe ver aos meus pés, relembrei do acontecido à um mês atrás, quando vi aquela menina saindo de sua casa, estava disposta à relevar os fatos, era incontroladamente apaixonada por você. Não vou negar meu amor, foi o mais sublime dos sentimentos que já vivi, mas como dizem: só à uma ponte que separa o amor da tristeza. Não se preocupe, não terá que ler os poemas que eu insistia em lhe mandar, nem comer os bombons que recebias e em instantes jogava no lixo, não lhe ligarei mais, sei o quanto és ocupado, e quanto a sua caixa de e-mail? Ela não lotará mais, por que em minhas mensagens você não estará como remetente.
Talvez você estivesse certo todo o tempo, como tu mesmo dizia: ‘ O romantismo não é mais desta época’. Vejo então que minhas palavras, muitas vezes carregadas de amor e carinho, perderam sentido.
Desejo-lhe então que ames como nunca amou. Espero que agora tenhas tempo...
Quanto à mim? Se o decepcionei, sinto muito...’
Após o envio desta melancólica carta passaram-se um ano, até que minha amiga dá-me a notícia de que ‘ele’ havia falecido, minha alma transformou-se em um recanto fúnebre. Lágrimas irrigavam sentimentos esquecidos.
Chorava por que o perdi definitivamente. E não podia revogar esta situação.
Vesti-me à caráter e fui ao seu encontro, ou melhor, ao encontro de seu corpo. No caminho preparava-me, pois a imagem dele imóvel em um esquife não seria agradável.
Ao entrar, desesperei-me, lágrimas escorriam incontidamente de meus olhos. Nunca havia o visto tão inanimado, tão pálido, sem um sorriso em seu rosto.
Ao me aproximar notei um detalhe peculiar, envolto ao seu pulso havia uma pulseira, a qual lhe dei após nosso primeiro encontro. No mesmo havia peças brancas e pretas, ao entregar este colar à ele, pedi que enumerasse à cada peça preta uma de suas tristezas, ou sonhos não realizados, e às brancas, um motivo de felicidade que tivera. No entanto, quando sua tristeza se convertesse em felicidade, ele substituiria a peça preta pela branca.
Ele fez isso sagradamente, a maioria das peças da pulseira eram brancas, exceto por uma.
Questionamentos se formaram na minha cabeça: qual o sonho que ele não pode realizar? Qual tristeza carregou consigo até seus últimos dias? Não havia resposta, ele não poderia dar-me.
Ternamente segurei em seu braço, meus dedos percorriam cada peça de sua pulseira, notei que havia uma tatuagem em seu pulso, mas a pulseira a cobria, ao afastá-la pude ver escritos em letras cursivas no qual dizia: sinto muito...
Não me agüentei em minhas pernas, meu mundo havia desabado, e ele sucumbiria com minha vida também. O que restava a mim? O medo de machucar-me em uma relação era maior do que o clamar de meu coração. Minha angustia ofuscava minha racionalidade, não pude perceber que ao me afastar dele minha feridas emocionais desapareciam, mas que meu coração desfalecia.
Levantei, me recompus, despedi-me de meu eterno amado e sai. Sai sem destino... Procurando um motivo para viver, motivo o qual eu perderá, pra sempre...
Pensei por várias vezes em suicidar-me... Abandonei minha vida à mercês do destino, destino este, frio e implacável. De qualquer modo, à minha morte será rápida, sem resistência, uma vez que eu já a perdi para sempre. Minhas últimas palavras? São as mesmas que serão gravadas em meu túmulo: ‘Sinto muito... ’




By Hagnes Dias Ribeiro

quinta-feira, 4 de junho de 2009

'Só que você foi embora, cedo demais...'



'Só que você foi embora, cedo demais...'


Dia pacato, o sol já aponta no horizonte. E logo pela manhã recebo em meu celular uma mensagem, quem me dera fosse de minha operadora solicitando novos créditos, ou oferecendo alguma promoção.
Mas não, era muito pior, bem, ao menos fez-me sentir pior.
Nela, uma breve mensagem redigida de forma incorreta, devido talvez a rapidez com que foi digitada: ‘Minha vó ñ agüentou e morreu hj pela manhã’
A li e reli durante inúmeras vezes tentando concentrar-me na veracidade da notícia, era real... Mais uma prova havia sido imposta à ela. No termínio da aula retornei a ligação, a voz rouca do outro lado da linha confirmou toda a história, sem muitas palavras desliguei, o professor agora já me observará.
O dia decorreu lentamente sem algum entusiasmo, cheguei em casa após o trabalho, banhei-me e me vesti.
Não tive que esperar muito até que minha mãe chegasse, expliquei à ela tudo o que havia ocorrido, terminando a frase com um sussurro: ‘não volto pra casa hoje’. Estava preparada pra enfrentar resistência da parte dela, mas seu aceno positivo com a cabeça me fez ver que ela entendeu.
Fui para o local marcado, antes, assegurei-me de que não dormiria naquela noite. Perdida entre as ruas deparo-me com uma multidão, realmente deve ser ali.
Receosa entro naquela casa onde à poucos conhecia. Chego à uma saleta tumultuada, lá estava ela, mais cálida do que o costume, ao lado daquele esquife marrom brilhante. Tentei forçar um sorriso, porém meus lábios contradiziam meus olhos que se contorciam de tristeza, não pela desfalecida mulher, até por que não à conhecia (talvez este, o fato de minha força), mas por vê-la assim, seus olhos sem o brilho no qual eu estava acostumada, mal se equilibrando ela se levantou e caminhou em minha direção, sem palavras ouvíveis à abracei, fomos pra fora daquele recinto e nos sentamos. Não havia nada para dizer. ‘Foi melhor assim’? Claro, isto poderia ser reconfortante, mas não cessaria a angústia que percorria seus olhos. ‘Sinto muito’? É, realmente eu sentia, mas minhas palavras falaram por si só e assuntos descontraídos surgiram. Talvez consegui entretê-la por alguns segundos, minutos se não for muita ousadia de minha parte, mas logo aqueles olhares agonizantes voltavam-se para ela. O clima era de tristeza, e nem minhas melhores piadas seriam capazes de muda-lo.
Todos exaustos recorriam às camas para descanso, mas apesar de toda minha insistência ela negou, ingeriu alto teor de cafeína para que seus olhos não se fechassem em um vacilo, fiz o mesmo, duplicando a dose que já percorria meu corpo.
As madrugadas nunca foram tão geladas como aquela, mas já estávamos agasalhadas à este momento.
A sua insistência para que eu dormisse foi em vão, estava ignorante demais à ponto de não ouvi-la em nada. E isso a irritava profundamente, nada que eu já não tivesse visto e suportado.
A noite se seguiu, sem mais surpresas, a manhã foi aparecendo com certa dificuldade, todos sabiam que a hora estava chegando, então o choro aumentou proporcionalmente.
O padre chegou e com singelas palavras foi confortando o coração de cada um presente. Após sua partida, o conforto foi mútuo.
Poucos minutos depois, um carro devidamente próprio para a ocasião estaciona em meio à multidão, desce um homem sério e adentra a casa, dirigindo-se também à pequena sala, acaba de chegar o convidado menos desejado.
Despedidas se desenrolam, quando os procedimentos para a remoção do esquife começam, em instantes ele é carregado para a traseira do comprido carro, que lentamente começa a se movimentar, seguido por uma fila imensa de automóveis.
O carro em que eu estava foi o primeiro a chegar, em seguida os outros viraram a esquina e estacionavam aleatoriamente.
Todos seguiam agora uma maca que percorria as ruelas, entre os túmulos; peguei tudo o que ela continha em suas mãos e a deixei ir à frente junto com seus familiares.
As rodas param no centro daquele lugar fúnebre, e em seguida todos ficam imóveis, é a hora de despedir-se, todos vão até o caixão e prestam sua homenagem pela última vez à aquela mulher pálida.
Em passos desconcertantes ela caminha até lá, lágrimas percorrem sua face descontroladamente, sua pele toma um tom avermelhado em poucos segundos, ao observá-la de longe relembrei-me de quantas percas irrecuperáveis ela tivera e o quão bravamente superou cada uma delas, lembrei-me também do quanto me ajudou em meus momentos de fraqueza, ensinando-me a bravura que expandia de seu coração.
Quando voltei a mim, ela já tinha se afastado de toda aquela multidão, talvez para pensar em tudo, ou para conter suas lágrimas que teimavam em cair, dentre os olhares, encontrei os da sua mãe que estava com os olhos fixamente nela, pensei em deixá-la sozinha, respeitar esse momento de fuga, mas essa não era a hora exata pra ser educada, me aproximei, à abracei e em um sussurro disse-lhe: ‘Você é forte, lembra?’ Talvez não fosse uma boa coisa a se dizer, mas não haviam coisas agradáveis à serem ditas.
O barulho estridente das rodas da pequena maca começaram, nos informando que havia chegado a hora. Todos caminharam novamente, deixei-me ficar para trás e meus pensamentos voltaram-se no por que disto: se é melhor por que sofremos tanto? Por que as pessoas boas tem que passar por isto? Quero dizer, já não é sofrimento o bastante manterem-se puras em um mundo como este? As respostas fugiam-me dos pensamentos.
E quando voltei a mim tudo estava lá, real como sempre foi, neste momento o esquife já estava sendo colocado na cova, fiquei à alguns metros dela. Graças aos céus uma pessoa estava ao seu lado a apoiando.
As pessoas despediam-se e iam embora, ela foi uma das últimas. Aproveitei e liguei para minha mãe, avisando-lhe que já podia ir embora e precisava de alguém para me buscar. Tinha certeza que ela me levaria em casa, mas ainda me restava um pouco de senso.
Ela se dirigiu ao portão de saída, à alcancei e disse-lhe que já estava indo, prontamente ela disse-me que me levaria, como eu já havia imaginado, tentei explicar que preferia que ela descansasse, em vão! Ela era tão cabeça dura quanto eu.
Descobri que eu era ignorante também, mas aquela irritação era passageira e compreensível, caminhei à frente com passos largos para evitar uma possível discussão.
Despedi-me de sua mãe com um abraço, quando ouço a voz rouca dela atrás de mim, pensei na probabilidade de ignorá-la, mas ainda me restava um pouco de educação, caminhei até ela, e a abracei novamente, ouvi um singelo ‘obrigada’, várias cenas retornaram à minha cabeça: - Oh se eu pudesse agradece-la por tudo que me fez, pela amiga-irmã que sempre foi, pelos momentos em que esteve comigo acima de tudo, mas nenhum agradecimento do mundo o expressaria, talvez minha amizade leal e a plena certeza que estarei ao seu lado em um momento chamado sempre supriria ao menos um pouco tudo isto.


By Hagnes Dias Ribeiro

terça-feira, 2 de junho de 2009

Covardia dos humanos, ilusão do amor...


Covardia dos humanos, ilusão do amor...

Os ventos cortantes despedaçam meu coração agora exposto, explodindo fora do meu peito.

As lembranças dos momentos junto à ti chicoteiam minha memória cansada e desiludida.

Lembro-me em meio à prantos das nossas conversas, projetos... Sonhos!

Como éramos felizes!

Agora a solidão se faz minha companheira algoz.

Onde estão nossos sonhos? Nossa alegria? Nosso amor?

Você partiu, tornou-se o pior egoísta ao privar-me de sua presença, roubou-me o ar e meus ternos sentimentos.

Oh, que ingênua sou.

Como pude acreditar em um amor tão utópico como o nosso?

Onde o amanhã era sempre incerto e poderia cair em meio ao caos.

Quantas noites passei imaginando nossa vida juntos.

Agora, desiludida, um turbilhão de perguntas surgem à minha mente:

Onde está o homem que me protegeria até os fins dos tempos?

Que montado em seu cavalo branco enfrentaria monstros e serpentes?

Rogo pelo homem que me prometera amor eterno.

Onde estás? Não peço-te que enfrentes dragões, mas imploro-te que não se acovarde em seu egoísmo excêntrico.

Poderíamos ser felizes juntos não é?

Iria aos lugares mais inóspitos buscar nossa felicidade.

Mas você a levou. Levou-a junto a ti e a encarcerou na mesma cela em que fizestes de nosso amor, prisioneiro. Cela da qual só você têm as chaves.

Poderia então, como grande ladrão que és roubar também este amor que asfixia meu peito, cessar esta dor agonizante que teima em gritar.

Poderias como assassino matar todos os meus sentimentos e aprisionar os meus sonhos e desejos.

Mas ainda tens coragem de ser cruel, deixando-me à mercês da viva.

Assim me auto-crucifico, sem direito de defender-me perante meu inconsciente.

Lamentando-me por não ter sido boa o suficiente, por ter falhado em fazer-lhes feliz. Talvez se a beleza me acompanhasse, lhe causaria encanto. Mas as formas imperfeitas de meu corpo aumentam minha agonia.

Não posso ser eu um monstro! Não cabe a mim a culpa deste terrível assassinato.

Tornei-me apenas vítima desta ilusão criada por atores pós graduados em falsidade.

Mas ainda resta-me dignidade. E coragem, da qual não tevês.

Coragem de amar, de arriscar, de recomeçar.

Coragem esta que me fortalece a cada amanhecer, onde certo dia acordarei tão feliz, tão linda, tão mulher, que serei demais para ti.

E finalmente não sentirei mais pena de mim por estar sem você, mas sim, pena de ti por estares sem mim.



By Hagnes Dias Ribeio.!



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