
O fim do ano vem chegando, não tão docemente como o vôo de um pássaro, mais como uma ventania que fará tudo que eu construí desmoronar, o meu castelo se tornará como o resto da areia da praia.
Acho que isso é medo, medo de perder o que eu conheço, medo de enfrentar o desconhecido. De tirar as rodinhas da bicicleta e me equilibrar sozinha.
Talvez eu tenha medo de ver que o mundo é muito maior do que meu próprio umbigo.
Medo de assumir quão insegura e egoísta sou.
Os pássaros voam, arriscam novos horizontes, e fazem isso em equipe. Não precisam de mapas, ou roteiros. Seguem seus instintos e confiam uns nos outros.
Sabe, acho que é isso que eu preciso fazer.
Dê-me um tempo.
Deixe minhas asas crescerem, e eu prometo que nunca mais vou parar de voar.
Pare de mexer no papel, eu estou tentando ler.
Sua caligrafia é horrível, ainda mais sem meus óculos. Não me lembro onde, só sei que os perdi em algum lugar. Acho que deve estar na minha estante, ou no meu quarto, não importa realmente. O que importa é que eu os tenho, e tenho também uma casa, e uma família, e vários amigos ao meu lado.
Os papeis voaram, e eu ainda estava tentando ler.
Eu já mencionei que perdi meus óculos?
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